SANAA - O ministro iemenita da Defesa, Mohamed Naser Ahmed, saiu ileso nesta terça-feira (11) de um atentado com carro-bomba no centro de Sanaa que causou doze mortes, um dia após o anúncio da morte, em uma operação militar, do número dois da Al-Qaeda no Iêmen.

 

Poucas horas depois do atentado, mais de 200.000 iemenitas saíram às ruas da capital para pedir que seja suspensa a anistia concedida ao ex-presidente Ali Abdullah Saleh, acusado de comprometer a transição política depois de sua renúncia em fevereiro.

 

O atentado com carro-bomba ocorreu a 200 metros da sede do Conselho de Ministros, segundo fontes policiais e militares. O veículo explodiu na passagem do último dos três veículos do comboio que transportava os guarda-costas do ministro, informaram as fontes.

 

O ministro "escapou de uma tentativa de assassinato com um carro-bomba, que tinha como alvo o seu comboio (...) quando saía da reunião semanal do gabinete", anunciou a agência oficial Saba.

 

Segundo o ministro do Interior, Abdel Qader Qahtan, citado pela agência, "doze pessoas morreram, entre elas sete guarda-costas do ministro".

 

O atentado não foi reivindicado e esta é a segunda vez em três meses que o ministro de Defesa, nomeado por Saleh e mantido no cargo por seu sucessor Abd Rabbo Mansur Hadi, escapa de um ataque.

 

Na segunda-feira, Sanaa anunciou a morte do número dois da Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA), o saudita Said Ali al-Shehri, em uma operação militar no leste do Iêmen.

 

Grande manifestação

 

A Al-Qaeda se aproveitou da fragilidade do poder central, no calor da insurreição popular contra o ex-presidente Saleh, para reforçar sua influência no leste e no sul do país.

 

Depois de treze meses de protestos, Saleh abandonou o poder em fevereiro, graças a um acordo de transição que concedia anistia a ele e a seus parentes.

 

Nesta terça-feira, mais de 200.000 pessoas saíram às ruas de Sanaa para protestar contra essa imunidade, na maior mobilização desde a saída do ex-presidente. "O número de participantes superou os 200.000", afirmou um dos organizadores. Outro afirmou que a manifestação tinha cinco quilômetros de comprimento.

 

A mobilização foi organizada pelos "Jovens da Revolução", que iniciaram os protestos contra o ex-chefe de Estado, que estava no poder desde 1978.

 

Os críticos acusam Saleh de continuar tendo ambições políticas e de alimentar a instabilidade no país. "Se não suspendem a imunidade, Saleh e seus partidários se sentirão encorajados a continuar com a sabotagem dos oleodutos e a animar o terrorismo", dizia um dos cartazes da manifestação.

 

O principal oleoduto para a exportação do petróleo iemenita foi sabotado na madrugada de quarta-feira na província de Marib (centro).