Australiana que ofendeu manicure negra responde a sindicâncias no trabalho

Extraído de: gazetadopovo.vida.cidadania  

Louise Stephanes disse no salão de beleza em Brasília que não queria ser atendida pela profissional negra por ela ser de "raça ruim"

A australiana que foi presa em Brasília, acusada de agredir e ofender uma manicure negra em um salão de beleza, responde por outros processos de racismo na Companhia Energética de Brasília (CEB), onde trabalha. Na última sexta-feira ((14), a secretária Louise Stephanes, de 30 anos , disse que não queria ser atendida pela profissional negra por ela ser de "raça ruim".

Em nota divulgada nesta segunda-feira (17), a CEB afirma que "a empregada Louise Stephanes Garcia Gaunth já responde a mais de uma sindicância, dentre outros motivos, por indícios de atitudes racistas". Ao fim das investigações, o resultado será encaminhados ao Ministério Público.

Na nota, a companhia informa também que avalia quais medidas administrativas podem ser tomadas em relação ao crime que a australiana teria cometido no fim de semana.

Revoltada, a dona do salão acionou a polícia na última sexta. Ao ser abordada por um policial militar negro, Stephanes gritou para que ele não falasse com ela. Ela foi presa em flagrante, mas no sábado (15) conseguiu um habeas corpus e responderá pelo crime em liberdade. Nesta segunda, ela não compareceu ao trabalho.

Telefone

Na manhã desta segunda-feira, o governador do Distrito Federal , Agnelo Queiroz, lamentou o ato da australiana.

"O racismo é lamentável em qualquer situação e é por isso que o governo do Distrito Federal tem políticas públicas de combate à discriminação, como, por exemplo, o disque-denúncia. E a população tem consciência disso, tanto que a denúncia de racismo foi feita pelas pessoas que estavam no salão de beleza. Uma atitude que merece nosso respeito e prova que a população de Brasília não aprova o racismo."

Desde março do ano passado, quando o Disque Racismo (156) foi criado no Distrito Federal , 126 casos do crime foram confirmados, uma média de 11 por mês. As denúncias são avaliadas pela Ouvidoria e encaminhadas para o Ministério Público.

O secretário de Igualdade Racial, Viridiano Custódio, afirma que o Disque Racismo facilita a identificação desse tipo de crime, pois nas delegacias muitos atos são registrados apenas como injúria racial.

A falta de informação faz com que muitas vezes uma pessoa que cometeu racismo tenha uma pena mais branda pelo crime ter sido registrado como injúria racial. A injúria consiste em ofender a honra de alguém com a utilização de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem. Nesse caso, a pena é menor, o suspeito paga fiança e fica livre. No racismo é diferente. É quando alguém discrimina um determinado grupo ou coletividade a pena pode chegar a três anos de prisão.

Ainda de acordo com o secretário, a manicure que sofreu a agressão foi procurada e orientada a registrar a queixa também pelo Disque Racismo. O caso já é investigado pela 1.ª Delegacia de Polícia.

Autor: Vinculado ao gazetadopovo.vida.cidadania


 
 
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