Colégio Seta fecha as portas após 35 anos

Extraído de: redebomdia.noticias   Novembro 28, 2012

Notícia que já estava na boca de pais e funcionários foi formalizada ontem pela diretoria por carta

Na manhã de ontem, pais e funcionários do Seta receberam oficialmente a notícia que há meses percorre os corredores de uma das escolas mais tradicionais da cidade. No dia 22 de dezembro, daqui menos de um mês, o colégio encerra suas atividades em Bauru.

A notícia foi recebida por todos. "A gente só chorou o dia todo", desabafou uma funcionária na tarde de ontem.  O colégio atualmente atendia a 300 alunos, número muito inferior ao que chegou a receber anos atrás.

Pais de alunos relataram ao BOM DIA que algumas aulas estavam tendo problemas pela ausência de professores. A de música e as atividades em laboratórios quase não aconteciam, de acordo com eles.

Também foi relatado que os professores deixaram de receber seus salários por pelo menos um mês e que a escola poderá ser despejada. De acordo com os comentários dos pais, os proprietários do prédio onde funciona a única unidade que sobrou das três que o Seta já teve na cidade, no Jardim Estoril, teriam requerido judicialmente o local pela falta de pagamento do aluguel.

A advogada do sistema de ensino Seta negou, entretanto, que tenha acontecido o despejo. Ela afirma que a entrega do prédio será feita no dia 22, junto ao encerramento das atividades, e que a escola foi acionada judicialmente pelos proprietários para a "recomposição do valor do aluguel", em suas palavras. "Nós não fomos despejados em momento algum", disse ao BOM DIA.

O diretor presidente do sistema de ensino Seta, Marco Antônio dos Santos, chegou a citar, durante entrevista, que o prédio é realmente caro e de uma estrutura muito grande para o número atual de alunos que o colégio possui.  

Ele ainda explicou que a queda no número de estudantes vem acontecendo há mais de cinco anos. "Tivemos um déficit muito grande e percebemos pelo número de matrículas que em 2013 esse prejuízo seria ainda maior".

Os pais de alunos receberam uma carta da escola avisando sobre o encerramento das atividades. No documento, o custo vem como principal justificativa. "São vários os motivos: elevado déficit mensal durante o ano de 2012, perspectiva de número de alunos ainda menor em 2013", diz o comunicado.

O diretor Marco ainda pontua que algumas cidades tem  um número muito maior de escolas do que pode suportar, o que leva a situações como a que o Seta Bauru vive hoje.

Em São José do Rio Preto, cidade sede do sistema de ensino Seta, ele garante que a situação é outra. "Por lá temos um contexto completamente diferente daqui. Sem problemas".

O Seta irá reembolsar todos os pais que já haviam realizado a matrícula dos filhos para o ano de 2013. O pagamento já deverá ocorrer junto com o recebimento da mensalidade de dezembro, informou o diretor.
O Seta veio para Bauru em 1977, chegou a usar a bandeira e o sistema de ensino do grupo Anglo por alguns anos, mas logo incorporou o que vigorava até hoje.

Para os pais, a notícia foi vista como uma grande perda. "O colégio tinha um sistema pedagógico ótimo. Nossas crianças estão perdendo muito", lamentou a mãe de uma aluna que estudou na escola por cinco anos.
Em setembro os pais foram convocados para uma reunião em que o diretor Marco expôs a situação e admitiu a crise pela qual a escola passava. "Ele pediu um voto de confiança e nós achamos que eles iriam se reerguer", contou a mãe.

Ela e outra mãe entrevistada pelo BOM DIA já haviam rematriculado suas filhas na escola, mas desfizeram a opção há algumas semanas devido à força que os boatos ganharam.

"Os comentários de que eles seriam despejados eram muito fortes. Sem contar que já faz mais de um ano que a gente escuta dizer que vai fechar".
Ainda assim, ela lamentou. "Sobre o ensino que minha filha teve eu não tenho pelo que reclamar. Eles sempre foram bons. Formaram muita gente competente na cidade".


Inadimplência é apontada pelo sindicato como principal problema para escolas
De acordo com o diretor Marco Antonio dos Santos a inadimplência no colégio Seta ficava entre 15% e 20%. Para ele, esse foi um dos motivos agravantes, mas não determinantes para o fechamento da instituição.

Gerson Trevizan, conhecido como Duda, diretor-regional do Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo ), explica que a inadimplência é hoje um dos grandes problemas enfrentados tanto pelas escolas quanto pelas faculdades particulares de Bauru.
Ele estima que, no geral, a inadimplência na cidade ultrapasse o índice de 10% e faz duras reclamações sobre a legislação.

"A lei hoje vai contra a escola. Nós não podemos romper a matrícula mesmo quando o pai passa um ano sem pagar a mensalidade. Nós continuamos oferecendo material e estrutura sem receber por isso", diz.
Na sua opinião, é preciso mudar essa "facilidade em não pagar" com leis mais rígidas. "Em outros países quando a pessoa passa mais de três meses sem pagar, a escola pode tomar providências", diz. Duda lamentou o fechamento do Seta como uma "grande perda para a cidade".

"O Seta foi um colégio que marcou época na cidade. Uma escola de qualidade e que fazia um ótimo trabalho".

Autor: Daniela Penha


 
 
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