Nos EUA, aéreas tentam driblar baixa temporada

Extraído de: viracopos.noticias.geral   Março 02, 2012

As companhias aéreas finalmente começaram a resolver um oneroso problema operacional: como gerenciar a sazonalidade.

Durante décadas, elas se debateram para adaptar o seu negócio de capital intensivo ao fato de que as pessoas viajam muito mais nas férias escolares e feriados longos do que no resto do ano.

Em janeiro de 2011, na baixa temporada do inverno nos Estados Unidos, as empresas aéreas americanas preencheram 77% dos seus lugares, comparado com 87% em julho, durante o verão, quando a capacidade do setor foi 17% mais alta.

A mudança de demanda sazonal geralmente afeta as empresas, que contratam empregados e investem em ativos para dar conta dos picos de atividade. Elas ganham muito dinheiro na alta temporada e perdem na baixa, quando acabam tendo aviões, portões e empregados demais.

"No paraíso, a demanda seria a mesma todos os dias", diz Glen Hauenstein, vice-presidente executivo de planejamento de redes e gerenciamento de receita da Delta Air Lines Inc.

"Janeiro é o pior", diz Andrew Harrison, vice-presidente de planejamento e gerenciamento de receita da Alaska Airlines, que pertence à Alaska Air Group Inc.

"Ninguém tem mais dinheiro depois do Natal. As crianças estão voltando às aulas. As pessoas que viajam a negócios estão acabando de voltar ao trabalho", diz ele.

Mas as empresas aéreas estão começando a se empenhar muito mais em preencher o maior número de lugares possível no ano todo.

Para melhor gerenciar o ciclo de alta e baixa temporadas, elas estão agendando mais aeronaves para manutenção e renovação de cabines durante os meses de menor demanda.

Também estão oferecendo férias voluntárias aos empregados, fazendo seus aviões voar menos horas por dia e diminuindo o número de voos diários para muitos destinos. Os voos transatlânticos, que lotam nos meses de férias, são reduzidos no resto do ano.

Essas iniciativas chegam num momento em que as companhias aéreas americanas já estão trabalhando duro para ajustar a capacidade à demanda e já diminuíram seu número total de voos e lugares.

Oferecer menos lugares torna mais fácil aumentar os preços quando o valor do petróleo vai às alturas. Com o combustível respondendo por mais de um terço da despesa operacional das empresas, "torna-se mais e mais importante não colocar avião no ar se não há demanda", diz Harrison, da Alaska.

Para sintonizar-se à sazonalidade, as empresas aéreas contam com a ajuda de melhores ferramentas de previsão. "Nós não estamos mais usando um machado para ajustar a escala", diz Andrew Nocella, vice-presidente sênior de marketing e planejamento da US Airways Group Inc.

A Delta, segunda maior empresa aérea dos EUA por tráfego, estabeleceu uma meta de oferecer uma capacidade 20% a 25% menor na baixa temporada, uma grande oscilação para os padrões da indústria, ao mesmo tempo mantendo sua rede central e vigiando os custos. Neste ano, a sua capacidade no pico de julho será 20% mais alta que em janeiro.

Mas encolher na baixa temporada é delicado. As empresas aéreas não podem se dar ao luxo de estacionar seus aviões, e os contratos com sindicatos não lhes permitem reduzir salários.

Na prática, cortar capacidade aumenta os custos por unidade porque as gordas despesas fixas das empresas são distribuídas por menos passageiros. O cálculo é: "Quantos ativos eu tenho que carregar durante o ano inteiro para justificar servir um mercado durante seis meses de alta?" diz Hauenstein, da Delta.

Dez anos atrás, as companhias não conseguiam encolher e continuar lucrativas, diz John Heimlich, um economista da Airlines for America, associação das maiores empresas aéreas dos EUA. Isso já não é tão verdadeiro agora, diz ele, porque o custo fixo total das empresas caiu de 75% há dez anos para 50% a 60% hoje.

A mudança ocorreu à medida que as empresas se reestruturavam dentro e fora de concordatas, economizavam por meio de fusões e terceirizavam a manutenção e serviços de alimentação e de aeroportos.

Esforços nessa linha também acontecem fora dos EUA. A irlandesa Ryanair Holdings PLC, a maior companhia aérea de desconto da Europa, estaciona alguns dos seus aviões entre novembro e março.

No período atual, de acordo com o diretor-presidente Michael O' Leary, estacionou 80 de seus 280 aviões, porque "não tínhamos uma boa posição de hedge de combustível".

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Autor: Vinculado ao viracopos.noticias.geral


 
 
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