Número de municípios com desenvolvimento moderado dobrou Avanços ainda são concentrados e a Região Norte apresenta indicadores ruins

Extraído de: noticias.orm.policia   Dezembro 01, 2012

Mais um indicador apontou que o Brasil caminha para se tornar um país de classe média. Segundo o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), o número de municípios com desenvolvimento socioeconômico "moderado" dobrou de 2000 a 2010. Porém, os avanços ainda são concentrados: a Região Norte apresenta indicadores ruins e o Nordeste ainda precisa levar a prosperidade ao interior. São Paulo se aproxima de um nível considerado alto - as 14 cidades com maior IFDM são paulistas, com Indaiatuba no primeiro lugar. Todas são no interior, onde está concentrada a riqueza do Estado. A capital fica em 29.º lugar no ranking estadual e em 32 º no nacional. Ainda assim, é a segunda melhor no IFDM 2010, atrás apenas de Curitiba (PR). Calculado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o IFDM classifica o desenvolvimento socioeconômico dos municípios numa escala de 0 a 1. Na última década, o número de municípios com nível "moderado" (de 0,6 a 0,8) passou de 1.655 (30,1% dos 5.565 municípios do País) para 3 391 (61%). A parcela de municípios com índice considerado "baixo" (abaixo de 0,4) passou de 18,2%, em 2000, para 0,3%, em 2010. O crescimento do emprego e da renda puxou a evolução da média nacional na década, mas o avanço nos indicadores de educação e saúde foi o principal responsável por disseminar o desenvolvimento. "O mercado de trabalho formal é muito concentrado, mesmo em São Paulo ", diz o gerente de Estudos Econômicos da Firjan, Guilherme Mercês. Apesar da concentração do emprego formal em poucas cidades, o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Neri, chama a atenção para o ritmo de crescimento. Segundo ele, a geração de vagas segue maior fora dos grandes centros, embora eles ainda concentrem os empregos. Para a classe média continuar crescendo, são necessários "políticas públicas, ações privadas e tempo", diz Neri. Segundo ele, uma década é pouco para superar as desigualdades do País. A média brasileira do IFDM foi de 0,7899 em 2010, avanço de 3,9% ante o IFDM de 2009, refletindo a recuperação econômica de 2010 - a economia cresceu 7,5% após a leve recessão de 2009. De 2000 a 2010, o avanço na média nacional foi de 32,7%. Por isso, o IFDM Emprego & Renda de 2010 cresceu 8,6% sobre 2009, mas houve avanços em apenas 52% das cidades. Na média nacional, o avanço de 2000 a 2010 foi de 61,9%. Em dez anos, os avanços no IFDM Educação (31,4%) e no IFDM Saúde (13,6%) foram menos intensos, mas mais disseminados. Ainda assim, desenha-se uma linha divisória imaginária no mapa, separando o País em Norte e Sul. Em uma década, a Região Centro-Oeste encostou no Sudeste e no Sul, com os melhores indicadores. Embora o Nordeste tenha verificado o maior crescimento na década, ainda falta muito para se aproximar das outras regiões. Das 500 cidades mais bem colocadas, 90,8% ficam no Sul ou Sudeste. Das 500 piores, 96,4% estão no Norte ou Nordeste. Nas seis cidades ainda com IFDM baixo, menos de 25% das crianças até 6 anos estão em creches ou na pré-escola. Na média nacional, são cerca de 40%. A precariedade econômica dessas seis cidades também é grande. Segundo a Firjan, moram nessas cidades 121 mil pessoas, mas há apenas 3,2 mil postos de trabalho. Ou seja, há três empregos para cada 100 habitantes. No País, a média é 24 empregos para cada 100, diz a Firjan. Na saúde, enquanto, pela média nacional, 58% das gestantes fazem pelo menos sete consultas pré-natal, em São Paulo de Olivença (AM), a sexta pior no ranking do IFDM 2010, menos de 1% têm esse "privilégio". Concentração. Mesmo com as desigualdades sociais em queda, o desenvolvimento ainda é muito concentrado. Enquanto em uma década a maioria (61%) dos municípios passou à condição de desenvolvimento moderado no IFDM, São Paulo tirou todas as cidades do nível "regular". Nos dados de 2010, todos os municípios paulistas têm desenvolvimento pelo menos moderado. Em dez anos, o número de cidades com índice alto passou de 2,8% do total para 26,9%. Em 2000, São Paulo já não tinha nenhuma cidade com IFDM abaixo de 0,4, mas 6,7% delas estavam no nível regular. Em 2010, os 73,1% restantes ficaram com IFDM moderado, de 0,6 a 0,8. Especialista em economia regional paulista, Gustavo Zimmermann, professor do Instituto de Economia da Unicamp, chama a atenção para o fato de nenhuma das cidades no topo do ranking do IFDM estadual ter a economia concentrada em apenas uma atividade. São cidades com economia diversificada, fortes em serviços e atividades agropecuárias de alta produtividade. Desde a década de 1980, explica o professor, a dinâmica da economia paulista passa pela migração da indústria tradicional da região metropolitana para o interior e da indústria de maior valor agregado da capital para as cidades do entorno. A agricultura investe em mecanização e o agronegócio extensivo emigra para o Centro-Oeste. Porém, o avanço da última década não foi marcado pelo dinamismo econômico, mas sim pela evolução nos indicadores de educação e saúde.Fonte: Estadão Conteúdo
Autor: Vinculado ao noticias.orm.policia


 
 
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