Quantos morrerão pela falta de leitos de UTI?

Extraído de: redebomdia.noticias   Julho 30, 2013

Responsáveis pelo sistema de atendimento público de saúde de Bauru fazem jogo de empurra-empurra

No fim de semana, mais três pessoas morreram à espera de um leito de UTI, enquanto recebiam atendimento no Pronto Socorro Central. Não é a primeira vez que um caso assim acontece. Há um ano, a jovem Drielly Carla Alves de Brito, 22 anos, morreu na mesma situação.

Infelizmente, também parece que não será a última vez que pessoas morreram à espera de vaga em UTI.

Procurados pelo BOM DIA ontem, tanto Estado quanto Município se limitaram a fazer o velho jogo de "empurra-empurra", cada um esquivando-se da responsabilidade pela saúde pública.

Enquanto o Município afirma que a responsabilidade pela distribuição de vagas em UTIs cabe unicamente ao Estado;  o governo estadual, por meio de assessoria de imprensa, afirma que falhas na comunicação acabam prejudicando o direcionamento dos pacientes para UTIs.

De acordo com o Estado, todos os pacientes que necessitam de vaga em UTI devem ter o  nome encaminhado ao Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviço de Saúde), órgão que faz o direcionamento para vagas de UTI na cidade ou em outras da região.

Quando a vaga não é na cidade onde o paciente se encontra, ele pode ser removido de carro ou helicóptero.

No entanto, os médicos do PS Central não estariam procurando o Cross, mas sim tentando contato direto com os hospitais da cidade, onde nem sempre há vagas.

"Não, isso não acontece. Para pacientes que necessitam de UTI, encaminhamos solicitação para o Hospital Estadual, de Base e o Cross", defende-se Luiz Antônio Sabbag, diretor do Departamento de Urgência e Emergência, da Secretaria Municipal de Saúde.

O diretor também nega que um dos pacientes que morreu na sexta-feira teve o pedido de internação  cancelado, como afirmou o Estado. "O paciente ficou entubado o tempo todo aguardando internação", diz.

Cidade terá mais 18 vagas, mas ainda não são suficientesEm um ponto, Estado e Município concordam: faltam vagas para leitos de UTI em Bauru. A cidade, que conta com 47 vagas para internação adulta e infantil, precisa de pelo menos 70 leitos.

Na última quinta-feira (25), o governador Geraldo Alckmin anunciou mais 18 vagas de UTI para Bauru. Não há data prevista para a entrega dos leitos. No entanto, ainda é pouco.

"Temos um estudo que mostra que Bauru tem um déficit de quase 50% de leitos. Precisa de no mínimo 70", afirma Sabbag.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria da Saúde do estado de São Paulo , o fortalecimento da rede de assistência à saúde não é uma prerrogativa exclusiva de governos estaduais. Além da iniciativa dos municípios, depende, ainda, do aumento do teto financeiro do SUS de São Paulo , pelo Ministério da Saúde.

No dia 6 de agosto haverá audiência pública na Câmara para debater a reforma do Pronto Socorro Central.

MAIS

Parceria entre rede privada e município é alternativa
Uma possível solução apontada pelo Estado é a contratação de vagas em hospitais da rede particular. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo , o sistema consiste em uma forma de convênio que estabelece parceria entre hospitais particulares e município. 

47 vagas em UTI estão disponíveis em Bauru

Sistema existe em algumas cidades do interior
Quando um paciente necessita de vaga em UTI e não há leito disponível na rede pública, ele pode ser encaminhado a alguma vaga da rede particular. Os custos da internação são mantidos pelo município, que pode solicitar verba junto ao Ministério da Saúde e pleitear recursos. O sistema foi adotado em algumas cidades do interior, como Sorocaba e Ribeirão Preto.

Autor: Carolina Bataier


 
 
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