Zé do abacateiro: o profeta da região

Extraído de: viaeptv.noticias   Abril 14, 2013

Ele aprendeu a ler a mão e benzer com a avó e hoje atende uma verdadeira legião que o procura todos os dias, em Gavião Peixoto

Zé do Abacateiro lê o futuro nas mãos e benze usando folhas (Foto: Kris Tavares/Tribuna Impressa)

O que leva todos os dias cerca de 50 pessoas a fazerem fila em frente a uma casa simples, de difícil acesso, em uma chácara em Gavião Peixoto, em busca do futuro? É que neste endereço, cercado por pés de abacates, mora José da Conceição, 63 anos, também conhecido como "Zé do Abacateiro", benzedeiro, quiromante e ‘adivinhador’ do futuro. Uma espécie de profeta que vê nas mãos das pessoas e nas folhas de boldo que usa para benzer o que o tempo nos reserva.

Zé aprendeu a ler as mãos com apenas sete anos. A avó Júlia, benzedeira, bem que queria que ele a ajudasse no ofício, mas o menino pouco se interessava. "Eu só ajudava escolhendo as folhinhas que ela usava para benzer", conta. Lá na Paraíba , local em que morou até os 40 anos, tinha problema de tudo quanto era jeito, de erisipela a barriga d’água, as mães vinham em busca das rezas de dona Júlia, índia bugre que morreu centenária, em 1970.

Nos últimos 20 anos de vida, dona Júlia foi ficando cega e não teve outro jeito a não ser o neto, ainda menino, ajudá-la. "Ela falava que eu ia fazer a mesma coisa que ela e eu dizia que não", lembra. Dois anos depois de a avó morrer, Zé passou por uma prova de fogo, que colocou em xeque todas suas crenças e conceitos.

"Em 1976, quando minha primeira filha nasceu, aos nove meses, ela quase morreu. Como ela não tinha sido batizada, demos uma carreira e a batizamos para ela não morrer pagã", conta Zé, explicando que a menina tinha asma. "No caminho de volta, quando ela já estava desfalecida, parei debaixo de um pé de baraúna e pensei: se minha avó disse que eu era igual à ela, então vou benzer a menina", lembra.

Feita a oração, 20 metros adiante a filha já estava correndo e brincando. "Prometi que, a partir daquele dia, ia benzer gente, animal, quem me procurasse", lembra. E assim foi feito. Desde então, ele virou "benzedor", ofício geralmente exercido pelas mulheres e de origem católica.

Na varanda

Zé do Abacateiro, como manda a tradição, não cobra um centavo para benzer e ler a mão. "Tem gente que traz uma lata de óleo, um quilo de sal. Dinheiro não aceito, não", afirma. A única exigência é respeitar a ordem de chegada. Zé começa a atender a partir das 17h30, depois de trabalhar na lavoura de sol a sol. Na varanda da casa, a parede traz a marca do pé do benzedor, que passa cerca de cinco horas por dia encostado nela, atendendo as pessoas.

Com três folhas de boldo, que representam respectivamente a inveja, ambição e a má vontade, ele reza em frente a quem o procura. A folha que entortar é o setor que precisa ser "descarregado". Na sequência, lê a mão da pessoa. E dizem: o que ele fala, é lei.

Confira a reportagem completa na edição deste domingo da Tribuna Impressa

Autor: Vinculado ao viaeptv.noticias


 
 
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